© Antonis AchilleosPor Mark Ellwood
Connoisseurs em busca da autêntica cultura cocktail, pré-Lei Seca, estão redescobrindo os bitters, tornando o velho novo de novo.
Até cerca de alguns anos atrás não havia uma pessoa viva que sabia qual o verdadeiro gosto de um bitter. Atualmente os bitters se tornaram a última obsessão de "cocktail connoisseurs" e bartenders de vanguarda. Valorizados por seus sabores complexos, bitters são misturas de ervas, raízes, especiarias e frutas infusionados em álcool. Em formas mais suaves são, por vezes bebidos puros ou com soda, mas geralmente eles são adicionados a outras bebidas na elaboração de sofisticados coquetéis . "Pense neles como uma varinha mágica por trás do bar," "Vez por outra, quando você quer saber o que está faltando em uma bebida, você adiciona uma gota de bitters, e pronto! Tem um gosto fabuloso."
O frenesi em relação aos antigos bitters seguem tendências semelhantes em velhos barware's e livros de receita vintage. Graças em parte ao alto teor alcoólico, bitters antigos vão excepcionalmente bem. O conteúdo de uma garrafa intacta pode conter ricos e complexos sabores, mesmo depois de um século. Garrafas vintage, muitas vezes feitas de um bonito vidro colorido com etiquetas ornate, tornaram-se altamente colecionáveis.
Originalmente inventado como uma tintura com benefícios medicinais duvidosos os bitters tornaram-se um campo de bebidas mistas no início do século 19. Na verdade, foi a inclusão de bitters que passaram a distinguir um bom cocktail de, digamos, um soco no estomago. Mas foi em 1906 nos EUA quando a FDA Food and Drugs Act, exigiu documentos comprovativos dos benefícios de saúde e regulamentou os ingredientes, foi o que efetivamente baniu muitos bitters do mercado e a proibição acabou com a maioria do resto. No momento em que os americanos estavam bebendo bebidas alcoólicas livremente de novo, depois da Segunda Guerra Mundial, eles estavam concentrados recriando uísque ou vodka e os bitters permaneceram esquecidos neste país.
Tão recentemente como há alguns anos, os estoques dos bares americanos estavam limitados a Angostura, bitter bem conhecido de Trinidad Tobago (que foi criado em 1824 pelo médico alemão Dr. Siegert como um paliativo para doenças estomacais sofridos por soldados em exército de Simón Bolívar). Mas as coisas começaram a mudar com o crescente interesse pela cultura cocktail retro, com bartenders abocanhando livros antigos no eBay, procurando receitas esquecidas. Eles descobriram então numerosos bitters antigos e se familiarizaram com nomes como Abbott, Boker, a Caroni, Hostetter e de Schroeder, Stoughton, e Khoosh.
A maioria dessas marcas foram bitters aromáticos. Relacionados com o amaro que os italianos bebem como aperitivos, como Campari ou Averna, os amargos aromáticos são mais intensamente concentrados e feitos utilizando ingredientes de desconhecidas (muitas vezes muito bem guardadas) receitas. "Eles deveriam ter uma complexidade de sabor, como molho inglês, algo que você não quer beber sozinho, explica Robert Hess, co-fundador do Museu do Coquetel Americano, que é a criação de um lar permanente em Nova Orleans.
O mais antigo dos bitters foi o famoso Stoughton. Originalmente patenteado na Inglaterra em 1712, ganhou popularidade nas colônias americanas nas décadas que se seguiram. Mas uma vez que a receita foi tornada pública, fakes inundaram o mercado e condenaram a marca. Então veio Angostura, Hostetter, o Boker, e Peychaud. Este último é notável porque foi tracejada no cocktail do século 19, populares da Sazerac. Peychaud ainda está em produção (embora os ingredientes tenham mudado), como é o caso do Angostura, mas é claro que a maioria dos bitters antigos há muito que desapareceram.
Brian Van Flandern em Nova York, coleciona bitters vintage e lhe interessa ambas, as garrafas e as bebidas. "Estive recentemente em uma licitação de uma garrafa de Angostura de 1824 no eBay", diz ele. "Eu esperava que estivesse somente cinqüenta por cento completa e um pouco espessa em função dos depósitos de depuração, devido à evaporação." É um hobby caro. Antes deste bitter abocanhou um jogo completo de Abbott's, entre as marcas antigas mais fáceis de encontrar ao custo US$ 900 no sabor de hortelã. Hoje, uma única garrafa, com apenas um grama ou mais, pode ser arrematado por US$ 400 ou mais.
Ted Haigh foi um dos primeiros a começar a perseguir garrafas obscuras. Ele agora tem uma coleção que é descrita por muitos com uma medida de respeito e uma pitada de inveja. Haigh possui uma garrafa de Boker, difícil de encontrar porque o vidro antigo é especialmente valorizado por colecionadores e entusiastas de bitters. O livro Café Cocktail Royal, um clássico publicado nos anos trinta, inclui receitas diversas. Bartenders britânicos o usaram durante a época da proibição. Bitters são originários da América, mas quando a proibição afetou o negócio de bebidas, bartedners britânicos tiveram que encontrar alternativas.
Maior orgulho de Haigh, porém, é a aquisição de uma garrafa de bitter de fabricação francesa Secrestat com sua assinatura cilíndrica, Uma garrafa verde de vidro em alto relevo. "Eu a encontrei num site de leilão argentino e pude ver que tinham uma garrafa à venda, mas como eu não falo espanhol então eu pedi a um amigo para me ajudar", diz ele, rindo. "Custou US$ 35 incluindo o transporte de uma garrafa cheia, quando um rótulo vazio que tinha encontrado antes me custou mais de US$ 100."
O santo graal para Haigh seria uma garrafa cheia de Stoughton. Brian Van Flandern está procurando o mesmo. "Uma garrafa original de 1712 sem ser aberta e intacta? Seria como encontrar um pré-filoxera Cognac," Van Flandern concorda. A resposta como um todo ao mundo de bebidas no entanto, seria uma garrafa de Caroni ou bitters a base de aipo. Mencionados em receitas antigas, eles são totalmente desconhecidos hoje.
Em menor escala, numerosos bartenders experimentam bitters com suas próprias receitas, enquanto mixologistas estão produzindo pequenos lotes de réplicas de marcas extintas.
Blog que tem o objetivo de reunir informações interessantes a respeito da cachaça artesanal paulista, licores, bebidas destiladas, gastronomia e outras relacionadas.
segunda-feira, 26 de setembro de 2011
terça-feira, 20 de setembro de 2011
OS DESTILADOS E O COGNAC
AGUINALDO ZÁCKIA ALBERT
Na Antiguidade as aguardentes (eaux-de-vie) e os licores não eram conhecidos no Ocidente. Os primeiros a praticarem a destilação foram os povos do Extremo-Oriente. Quanto aos árabes, começaram a destilar o álcool nos primórdios da Idade Média, passando esse conhecimento aos europeus. Álcool, alambique, alquimia são todos termos de origem árabe, sendo o al o artigo em árabe.
Se o desejo de beber está na origem do vinho, o desejo de agradar está na origem do álcool. Os árabes diluíam um certo tipo de pó negro em água, faziam-no ferver, condensavam seu vapor e depois solidificavam o líquido final. Obtinham assim o khol, com o qual suas mulheres embelezavam os olhos, dando-lhes mais brilho.
Quando começaram a destilar os álcoois, deram ao líquido conseguido o mesmo nome do cosmético “al khol”, pois era fabricado pelo mesmo processo.
A técnica da destilação ganhou a Europa pela Espanha, onde foi introduzida pelos árabes durante a longa dominação. No século XIII, Arnaud de Villeneuve, alquimista do rei de Aragão, escrevia no seu Tratado sobre a Conservação da Juventude: “alguns chamam esse líquido de aguardente (eau-de-vie), e este nome lhe convém, pois ele faz com que vivamos por mais tempo”.
Para ele, o álcool era a panacéia buscada há tantos anos, o elixir da vida, velho sonho dos alquimistas. Por causa dessa origem obscura, a aguardente nos seus primórdios passava por ter propriedades mágicas e fins terapêuticos. As frutas e as plantas que eram misturadas ao álcool melhoravam seu gosto e, diziam, aumentavam seu poder medicamentoso.
Assim, no silêncio de seus monastérios e laboratórios, enquanto buscavam o elixir da longa vida, os religiosos e alquimistas do início do século XIV descobriram os segredos de fabricação dos primeiros licores.
O século XVIII marcará uma nova etapa na fabricação de licores com a chegada à Europa do açúcar de cana das Antilhas e as especiarias que lhes davam sabor.
No início do século XIX, M. Adam inventou um aparelho de destilação tão perfeito que retirava do álcool todo gosto indesejável e permitia obter, por misturas bem dosadas de grãos e plantas, os esprits que são, ainda hoje, a base dos licores.
O COGNAC
O Cognac, juntamente com o Armagnac, é a mais renomada aguardente de vinho e é obtido através da destilação de vinhos brancos de cepas selecionadas (Folle Blanche, Colombard, Ugni Blanc). Como a matéria-prima do Cognac deve ser uma uva fraca e ácida, usava-se, inicialmente, a Folle Blanche, bem ácida e aromática. Depois da dizimação dos vinhedos pela phylloxera, na segunda metade do século XIX, como a Folle Blanche mostrou-se inadaptada à enxertia, foi substituída pela Ugni Blanc, também conhecida por St.-Émilion (em Cognac) e Trebbiano (na Itália).
Os vinhos produzidos com essas uvas são destilados segundo o método charentês (de Charente) num alambique de repasse, através de 2 destilações sucessivas. A première chauffe dá o broullis de 27 a 30°, que retorna ao alambique e é fervido de forma regular por 12 horas. Isola-se então o álcool do início (tête) e o do fim da destilação (queue), guardando-se apenas a parte do meio (coeur). Apenas esta eau-de-vie, que se chama bonne chauffe, que alcançou de 69 a 72°, envelhecerá na madeira.
A extração de cor (até então é um líquido incolor), taninos e sabores é conseguida durante o estágio em barricas de carvalho. Com a evaporação, que ocorre através dos poros da madeira, o oxigênio vai oxidar, maturar e afinar o Cognac.
A evaporação é chamada de “parte dos anjos” e causa a perda de 3% do volume e redução de 1% do teor alcoólico por ano. Isso representa uma enorme perda de volume por ano, cerca de 20 milhões de garrafas.
Utiliza-se o carvalho da floresta de Limousin, próxima a Cognac, para a fabricação das barricas. O Maître de Chai faz a seleção dos Cognacs de várias regiões e os mescla. O caráter de cada Cognac obtido será resultado das proporções dessa mistura e do seu envelhecimento.
Antes de chegar ao mercado, o Cognac tem seu teor alcoólico reduzido para 40-45% , com a adição de destilados mais fracos da região ou água destilada. É permitida a adição de açúcar e caramelo à bebida.
LEGISLAÇÃO E REGIÕES
A legislação que regula a produção do Cognac é bastante severa, existindo uma série de leis para normatizar a origem, o envelhecimento e as diferentes apelações. A região se limita aos departamentos de Charente-Maritime e Charente, dentro da qual existem 6 zonas de produção ou crus, cada qual limitada por diferenças de terroir. São as seguintes, por ordem decrescente de qualidade:
• Grande Champagne
• Petite Champagne
• Borderies
• Fins Bois
• Bons Bois
• Bois Ordinaires
APELAÇÕES DE ORIGEM:
• Grand Fine Champagne Cognac - 100% Grande Champagne
• Fine Champagne Cognac - mínimo de 50% Grande Champagne - máximo de 50% Petite Champagne
• Petite Fine Champagne Cognac - 100% Petite Champagne
DENOMINAÇÕES QUANTO AO ENVELHECIMENTO:
• Três Estrelas – Quando seu componente mais novo tem, no mínimo, 30 meses.
• V. O. e V.S.O.P. – Very Old e Very Superior Old Pale – quando contiverem aguardentes cuja idade mínima seja de 4,5 anos.
• Extra, X.O. (Extra Old), Napoléon, Grande Réserve – feitos com aguardentes de, no mínimo, 6,5 anos, até 60 anos.
Lembramos que a idade se refere apenas ao componente mais novo do blended, sendo a média de idade bastante superior ao que se lê no rótulo. Além disso, só se computa o envelhecimento em carvalho, pois não existe evolução do Cognac após o engarrafamento.
Publicado na Revista Vinho Magazine – ano 2001
Na Antiguidade as aguardentes (eaux-de-vie) e os licores não eram conhecidos no Ocidente. Os primeiros a praticarem a destilação foram os povos do Extremo-Oriente. Quanto aos árabes, começaram a destilar o álcool nos primórdios da Idade Média, passando esse conhecimento aos europeus. Álcool, alambique, alquimia são todos termos de origem árabe, sendo o al o artigo em árabe.
Se o desejo de beber está na origem do vinho, o desejo de agradar está na origem do álcool. Os árabes diluíam um certo tipo de pó negro em água, faziam-no ferver, condensavam seu vapor e depois solidificavam o líquido final. Obtinham assim o khol, com o qual suas mulheres embelezavam os olhos, dando-lhes mais brilho.
Quando começaram a destilar os álcoois, deram ao líquido conseguido o mesmo nome do cosmético “al khol”, pois era fabricado pelo mesmo processo.
A técnica da destilação ganhou a Europa pela Espanha, onde foi introduzida pelos árabes durante a longa dominação. No século XIII, Arnaud de Villeneuve, alquimista do rei de Aragão, escrevia no seu Tratado sobre a Conservação da Juventude: “alguns chamam esse líquido de aguardente (eau-de-vie), e este nome lhe convém, pois ele faz com que vivamos por mais tempo”.
Para ele, o álcool era a panacéia buscada há tantos anos, o elixir da vida, velho sonho dos alquimistas. Por causa dessa origem obscura, a aguardente nos seus primórdios passava por ter propriedades mágicas e fins terapêuticos. As frutas e as plantas que eram misturadas ao álcool melhoravam seu gosto e, diziam, aumentavam seu poder medicamentoso.
Assim, no silêncio de seus monastérios e laboratórios, enquanto buscavam o elixir da longa vida, os religiosos e alquimistas do início do século XIV descobriram os segredos de fabricação dos primeiros licores.
O século XVIII marcará uma nova etapa na fabricação de licores com a chegada à Europa do açúcar de cana das Antilhas e as especiarias que lhes davam sabor.
No início do século XIX, M. Adam inventou um aparelho de destilação tão perfeito que retirava do álcool todo gosto indesejável e permitia obter, por misturas bem dosadas de grãos e plantas, os esprits que são, ainda hoje, a base dos licores.
O COGNAC
O Cognac, juntamente com o Armagnac, é a mais renomada aguardente de vinho e é obtido através da destilação de vinhos brancos de cepas selecionadas (Folle Blanche, Colombard, Ugni Blanc). Como a matéria-prima do Cognac deve ser uma uva fraca e ácida, usava-se, inicialmente, a Folle Blanche, bem ácida e aromática. Depois da dizimação dos vinhedos pela phylloxera, na segunda metade do século XIX, como a Folle Blanche mostrou-se inadaptada à enxertia, foi substituída pela Ugni Blanc, também conhecida por St.-Émilion (em Cognac) e Trebbiano (na Itália).
Os vinhos produzidos com essas uvas são destilados segundo o método charentês (de Charente) num alambique de repasse, através de 2 destilações sucessivas. A première chauffe dá o broullis de 27 a 30°, que retorna ao alambique e é fervido de forma regular por 12 horas. Isola-se então o álcool do início (tête) e o do fim da destilação (queue), guardando-se apenas a parte do meio (coeur). Apenas esta eau-de-vie, que se chama bonne chauffe, que alcançou de 69 a 72°, envelhecerá na madeira.
A extração de cor (até então é um líquido incolor), taninos e sabores é conseguida durante o estágio em barricas de carvalho. Com a evaporação, que ocorre através dos poros da madeira, o oxigênio vai oxidar, maturar e afinar o Cognac.
A evaporação é chamada de “parte dos anjos” e causa a perda de 3% do volume e redução de 1% do teor alcoólico por ano. Isso representa uma enorme perda de volume por ano, cerca de 20 milhões de garrafas.
Utiliza-se o carvalho da floresta de Limousin, próxima a Cognac, para a fabricação das barricas. O Maître de Chai faz a seleção dos Cognacs de várias regiões e os mescla. O caráter de cada Cognac obtido será resultado das proporções dessa mistura e do seu envelhecimento.Antes de chegar ao mercado, o Cognac tem seu teor alcoólico reduzido para 40-45% , com a adição de destilados mais fracos da região ou água destilada. É permitida a adição de açúcar e caramelo à bebida.
LEGISLAÇÃO E REGIÕES
A legislação que regula a produção do Cognac é bastante severa, existindo uma série de leis para normatizar a origem, o envelhecimento e as diferentes apelações. A região se limita aos departamentos de Charente-Maritime e Charente, dentro da qual existem 6 zonas de produção ou crus, cada qual limitada por diferenças de terroir. São as seguintes, por ordem decrescente de qualidade:
• Grande Champagne
• Petite Champagne
• Borderies
• Fins Bois
• Bons Bois
• Bois Ordinaires
APELAÇÕES DE ORIGEM:
• Grand Fine Champagne Cognac - 100% Grande Champagne
• Fine Champagne Cognac - mínimo de 50% Grande Champagne - máximo de 50% Petite Champagne
• Petite Fine Champagne Cognac - 100% Petite Champagne
DENOMINAÇÕES QUANTO AO ENVELHECIMENTO:
• Três Estrelas – Quando seu componente mais novo tem, no mínimo, 30 meses.
• V. O. e V.S.O.P. – Very Old e Very Superior Old Pale – quando contiverem aguardentes cuja idade mínima seja de 4,5 anos.
• Extra, X.O. (Extra Old), Napoléon, Grande Réserve – feitos com aguardentes de, no mínimo, 6,5 anos, até 60 anos.
Lembramos que a idade se refere apenas ao componente mais novo do blended, sendo a média de idade bastante superior ao que se lê no rótulo. Além disso, só se computa o envelhecimento em carvalho, pois não existe evolução do Cognac após o engarrafamento.
Publicado na Revista Vinho Magazine – ano 2001
domingo, 11 de setembro de 2011
O Tesouro do Caribe
Primo-irmão de nossa cachaça, o rum é um dos destilados mais apreciados em coquetéis
por Silvia Mascella Rosa
Histórias de piratas, tesouros e ilhas paradisíacas saem da ficção quando se conta a história do rum. A cana-de-açúcar, sua matéria prima, chegou ao Caribe pelas mãos de Cristovão Colombo, no final do século XV, e espalhou-se por todas as ilhas. Os livros não confirmam qual ilha foi a responsável pela primeira destilação do melaço da cana, embora Barbados seja a mais citada. Mas o fato é que, em pouco mais de um século, o rum já era a bebida que motivava os militares (até a década de 70 do século passado, a bebida fazia parte da "ração" diária dos marinheiros ingleses), o combustível de piratas europeus e o divertimento dos nativos e dos escravos que circulavam pelas ilhas. Até mesmo o nome da bebida tem as coordenadas díspares de um mapa de tesouro.
Conhecido como rum, ron e rhum, uma das possíveis origens do nome seria a palavra latina saccharum, que significa açúcar. Outra origem, relacionada aos piratas, está ligada ao termo inglês antigo rumbullion (em Português, tumulto), ou seja, as arruaças dos bebedores após festejar o sucesso de seus saques.
O rum foi o álcool mais presente nas expedições marítimas e, talvez por isso, passou a ser uma das bebidas mais populares ao redor do mundo. Piratas e prostitutas, senhores de terras e escravos, cowboys no velho oeste e atores, políticos e escritores, todos apreciavam rum. Em 1954, o escritor norte-americano Ernest Hemingway escreveu as seguintes frases:“My Mojito in La Bodeguita, My Daiquiri in El Floridita”. As frases estão emolduradas e penduradas na parede do bar mais famoso de Havana, La Boguedita del Medio, no bairro antigo da capital cubana, somente a alguns quarteirões de distância do restaurante La Floridita, onde o escritor sentava-se todos os dias para uns quatro ou cinco coquetéis. A fácil utilização do rum na coquetelaria internacional é um dos fatores que elevou a sua popularidade no final do século XX. É o tipo de destilado que combina muito bem com frutas e refrigerantes, como prova a popularidade da “Pina Colada” (saborosa mistura de rum, suco de abacaxi e creme de côco), da “Cuba Libre” e do “Daiquiri”.
Os apreciadores brasileiros (o nordeste é a região com maior consumo de rum no país) criaram uma versão caribenha de nossa caipirinha, a caipiríssima.
A diferença do rum para nossa cachaça está no processo de produção: a maior parte dos runs é destilado do melaço fermentado da cana-de-açúcar, enquanto a cachaça é preparada do caldo da cana fermentado, resultando em um produto com sabores menos concentrados do que o rum. Após a preparação do melaço ele é armazenado em tanques ou cisternas e depois diluído com água e nutrientes para a fermentação. O líquido é então transferido para o local de destilação, que tanto pode ser um alambique de destilação contínua quanto um alambique do tipo ‘pot’, de destilação por partes (utilizado nos runs premium). O primeiro produto da destilação é conhecido como “rum comum”. Após isso, ele vai ser transferido para os barris de carvalho, nos quais amadurece. Esse processo requer no mínimo dois anos e pode chegar até dez anos para bebidas especiais. Na etapa final, entra em cena o blender, responsável por fazer as combinações entre os diversos tipos de runs – os comuns e os de destilação pot –, para obter produtos diferenciados.
Os tipos de rum Ao longo dos anos, o rum tomou sotaques e sutilezas que o tornam peculiar em cada local de produção. Os mais famosos, no entanto, encontram-se em Cuba, na Jamaica, na República Dominicana, em Porto Rico e em Barbados. Mas, incrivelmente, existem runs produzidos na Austrália (onde foi a primeira bebida oficial), em Java (na Indonésia), na Índia e na Alemanha.
Leves ou encorpados, os runs têm, em geral, de 35% a 45% de gradação alcoólica. Os leves são produtos amadurecidos por pouco tempo e classificados como dourado (oro, carta ouro ou golden) e transparente (blanco, carta blanca, prata, silver ou white). Seus aromas são associados às especiarias e às frutas secas: uvas-passas, ameixas e, algumas vezes, baunilha. Além disso, podem ser distinguidos pelo país que os produz:
● CUBA – runs leves e suaves;
● JAMAICA – runs fortes, encorpados, envelhecidos em carvalho e duplamente destilados;
● BARBADOS – runs mais ou menos leves, com sabor acentuado de carvalho;
● MARTINICA – runs encorpados e pungentes feitos com suco de cana no lugar do melaço;
● PORTO RICO – runs leves e de muita qualidade.
O rum premium, em geral cor de caramelo e envelhecido, deve ser servido em temperatura ambiente, puro, como digestivo ou para acompanhar um bom charuto. O copo pode ser o de conhaque ou mesmo uma boa taça para cachaça ou vinho do Porto. O rum branco, quando tomado puro, deve ser servido frio.
O mojito
Um dos coquetéis preferidos do escritor Ernest Hemingway, o Mojito, tem fiéis apreciadores ao redor do globo, por ser uma bebida refrescante e leve. Segundo o próprio Hemingway, o coquetel é uma invenção do almirante inglês Francis Drake, primeiro homem branco a aportar nas Ilhas do Pacífico Sul. Ele teria criado a bebida misturando folhas de hortelã com doses generosas de rum. O objetivo era proteger seus marinheiros das doenças respiratórias e estomacais. A receita mais popular, no entanto, é a criada pelo bar cubano "La Bodeguita del Medio". Confira abaixo:
6 Ou 7 folhas de hortelã (mais um galho para decoração);
2 Colheres de chá de açúcar;
1/2 Dose de suco de limão;
1 Dose de rum prata leve;
4 ou 5 pedras de gelo picadas;
Club soda ou água com gás.
Misture o açúcar e o limão em um copo alto. Coloque as folhas de hortelã e as amasse levemente. Coloque o gelo picado e o rum. Complete com club soda. Mexa levemente e sirva com canudo, mexedor ou ramo de hortelã.
por Silvia Mascella Rosa
Histórias de piratas, tesouros e ilhas paradisíacas saem da ficção quando se conta a história do rum. A cana-de-açúcar, sua matéria prima, chegou ao Caribe pelas mãos de Cristovão Colombo, no final do século XV, e espalhou-se por todas as ilhas. Os livros não confirmam qual ilha foi a responsável pela primeira destilação do melaço da cana, embora Barbados seja a mais citada. Mas o fato é que, em pouco mais de um século, o rum já era a bebida que motivava os militares (até a década de 70 do século passado, a bebida fazia parte da "ração" diária dos marinheiros ingleses), o combustível de piratas europeus e o divertimento dos nativos e dos escravos que circulavam pelas ilhas. Até mesmo o nome da bebida tem as coordenadas díspares de um mapa de tesouro.
Conhecido como rum, ron e rhum, uma das possíveis origens do nome seria a palavra latina saccharum, que significa açúcar. Outra origem, relacionada aos piratas, está ligada ao termo inglês antigo rumbullion (em Português, tumulto), ou seja, as arruaças dos bebedores após festejar o sucesso de seus saques.
O rum foi o álcool mais presente nas expedições marítimas e, talvez por isso, passou a ser uma das bebidas mais populares ao redor do mundo. Piratas e prostitutas, senhores de terras e escravos, cowboys no velho oeste e atores, políticos e escritores, todos apreciavam rum. Em 1954, o escritor norte-americano Ernest Hemingway escreveu as seguintes frases:“My Mojito in La Bodeguita, My Daiquiri in El Floridita”. As frases estão emolduradas e penduradas na parede do bar mais famoso de Havana, La Boguedita del Medio, no bairro antigo da capital cubana, somente a alguns quarteirões de distância do restaurante La Floridita, onde o escritor sentava-se todos os dias para uns quatro ou cinco coquetéis. A fácil utilização do rum na coquetelaria internacional é um dos fatores que elevou a sua popularidade no final do século XX. É o tipo de destilado que combina muito bem com frutas e refrigerantes, como prova a popularidade da “Pina Colada” (saborosa mistura de rum, suco de abacaxi e creme de côco), da “Cuba Libre” e do “Daiquiri”.
Os apreciadores brasileiros (o nordeste é a região com maior consumo de rum no país) criaram uma versão caribenha de nossa caipirinha, a caipiríssima.
A diferença do rum para nossa cachaça está no processo de produção: a maior parte dos runs é destilado do melaço fermentado da cana-de-açúcar, enquanto a cachaça é preparada do caldo da cana fermentado, resultando em um produto com sabores menos concentrados do que o rum. Após a preparação do melaço ele é armazenado em tanques ou cisternas e depois diluído com água e nutrientes para a fermentação. O líquido é então transferido para o local de destilação, que tanto pode ser um alambique de destilação contínua quanto um alambique do tipo ‘pot’, de destilação por partes (utilizado nos runs premium). O primeiro produto da destilação é conhecido como “rum comum”. Após isso, ele vai ser transferido para os barris de carvalho, nos quais amadurece. Esse processo requer no mínimo dois anos e pode chegar até dez anos para bebidas especiais. Na etapa final, entra em cena o blender, responsável por fazer as combinações entre os diversos tipos de runs – os comuns e os de destilação pot –, para obter produtos diferenciados.
Os tipos de rum Ao longo dos anos, o rum tomou sotaques e sutilezas que o tornam peculiar em cada local de produção. Os mais famosos, no entanto, encontram-se em Cuba, na Jamaica, na República Dominicana, em Porto Rico e em Barbados. Mas, incrivelmente, existem runs produzidos na Austrália (onde foi a primeira bebida oficial), em Java (na Indonésia), na Índia e na Alemanha.
Leves ou encorpados, os runs têm, em geral, de 35% a 45% de gradação alcoólica. Os leves são produtos amadurecidos por pouco tempo e classificados como dourado (oro, carta ouro ou golden) e transparente (blanco, carta blanca, prata, silver ou white). Seus aromas são associados às especiarias e às frutas secas: uvas-passas, ameixas e, algumas vezes, baunilha. Além disso, podem ser distinguidos pelo país que os produz:
● CUBA – runs leves e suaves;
● JAMAICA – runs fortes, encorpados, envelhecidos em carvalho e duplamente destilados;
● BARBADOS – runs mais ou menos leves, com sabor acentuado de carvalho;
● MARTINICA – runs encorpados e pungentes feitos com suco de cana no lugar do melaço;
● PORTO RICO – runs leves e de muita qualidade.
O rum premium, em geral cor de caramelo e envelhecido, deve ser servido em temperatura ambiente, puro, como digestivo ou para acompanhar um bom charuto. O copo pode ser o de conhaque ou mesmo uma boa taça para cachaça ou vinho do Porto. O rum branco, quando tomado puro, deve ser servido frio.
O mojito
Um dos coquetéis preferidos do escritor Ernest Hemingway, o Mojito, tem fiéis apreciadores ao redor do globo, por ser uma bebida refrescante e leve. Segundo o próprio Hemingway, o coquetel é uma invenção do almirante inglês Francis Drake, primeiro homem branco a aportar nas Ilhas do Pacífico Sul. Ele teria criado a bebida misturando folhas de hortelã com doses generosas de rum. O objetivo era proteger seus marinheiros das doenças respiratórias e estomacais. A receita mais popular, no entanto, é a criada pelo bar cubano "La Bodeguita del Medio". Confira abaixo:
6 Ou 7 folhas de hortelã (mais um galho para decoração);
2 Colheres de chá de açúcar;
1/2 Dose de suco de limão;
1 Dose de rum prata leve;
4 ou 5 pedras de gelo picadas;
Club soda ou água com gás.
Misture o açúcar e o limão em um copo alto. Coloque as folhas de hortelã e as amasse levemente. Coloque o gelo picado e o rum. Complete com club soda. Mexa levemente e sirva com canudo, mexedor ou ramo de hortelã.
Loja da APROCAMAS em Monte Alegre do Sul
![]() |
| Loja da APROCAMAS - R. Cel. Luiz Leite, 04, Centro - Monte Alegre do Sul |
A região detém duas das três melhores cachaças do Estado, segundo o Concurso Paulista de Cachaça de Alambique deste ano, que teve mais de 150 participantes. Segunda colocada no concurso, premiada na categoria cachaça não envelhecida, a cachaça da Adega do Italiano, em Monte Alegre do Sul, se destaca no Circuito. Em Monte Alegre do Sul outras cachaças, como a Cachaça Chora Menina, Cachaça Campanari e a Cachaça Rouxinol também ganham cada vez mais expressão no mercado.
Para uma divulgação maior da APROCAMAS, "Associação dos Produtores de Cachaça de Monte Alegre do Sul e Região" foi criada a Cachaça Obirici, um “blend” como o whisky, com a mistura das cachaças dos melhores alambiques associados da Aprocamas.
Quem visita Monte Alegre do Sul pode conhecer os alambiques, experimentar a bebida e comprar direto do fabricante, ouvindo as dicas e histórias de cada um. Outra opção é visitar a loja da Aprocamas no centro de Monte Alegre do Sul, lá estão produtos dos principais fabricantes locais. O endereço é rua Cel. Luiz Leite, 04, e o telefone é (19) 3899 2744. O horário de funcionamento é das 10 às 12h e das 13 às 18h, sextas, sábados, domingos e feriados.
Quanto mais marcas melhor?
15 de junho de 2011 | Categorias: Blog, Marketing e Cachaça | Por: Renato Figueiredo
Tente se lembrar de um lugar que você foi, e que era famoso por servir Cachaça. Quantas marcas haviam lá?
Muita gente deve ter respondido, “não sei, mas muitas!” Com certeza, mais de 50. E, aliás, quanto mais marcas, melhor, não é? No mundo da Cachaça, parece ainda haver uma idéia de que Cachaça deve ser, necessariamente, multiplicidade. Quanto mais marcas diferentes, sabores diferentes, embalagens especiais, etc. e tal, melhor. Será?
“Hã hã”: não necessariamente. A variedade pela variedade pode nem sempre ser interessante para o consumidor ou para o restauranteur ou dono do bar. Para o consumidor, o enorme leque implica uma dúvida iminente durante e após a escolha: “essa que eu escolhi é boa, mas será que não havia outra melhor?” Ou: “poxa, havia tantas para escolher e eu fui escolher justo esta que não gostei?”. Se o mercado da Cachaça já fosse tão desenvolvido quanto o do vinho, talvez pudéssemos contar com sommeliers em vários restaurantes ou pontos de venda, e que nos dessem orientações na hora da compra. No entanto, a realidade ainda é outra.
Para quem administra um negócio, tanto do lado da produção quanto da venda, o excesso de opções também é problemático: administrar a variedade é muito mais trabalhoso e mais custoso. Cada “tipo” do produto (também conhecido como “SKU”) tem uma peculiaridade, um tamanho de embalagem diferente, um rótulo diferente, uma distribuição diferente. Vale a pena pensar na relação custo-benefício antes de expandir sua linha.
Se observarmos os grandes conglomerados de empresas hoje, veremos que é justamente isso que eles têm feito: Unilever, Nestle, Procter&Gamble… Todas as grandes players do mercado têm comprado e não param de comprar mais marcas. Mas cada vez mais elas reduzem o número delas no seu portfólio (excluindo, juntando, mudando nomes…). E por que? 2 razões: custos e lembrança de marca.
Sim, marca. Imagine você fazer a propaganda de 300 tipos de Cachaça diferentes. Investir em campanhas para cada uma delas – e fazer o consumidor se lembrar delas. Se você já tentou trabalhar com uma, sabe o quanto isto pode ser trabalhoso. O exemplo das grandes empresas de hoje nos mostra: é mais proveitoso investir em poucas marcas, com melhor qualidade. Para todos os elos da cadeia de consumo: produtores, distribuidores, varejistas, consumidores finais…
Assim, seja você um produtor, distribuidor ou até consumidor de Cachaça: antes de pensar em quantidade, pense em investir seus esforços em menos, mas mais valiosas marcas e produtos. Antes de pensar logo em 4 produtos diferentes, por que não apenas 2? Ou um só? Quantas marcas “únicas” não fazem enorme sucesso por aí? Se seu licor é melhor que a cachaça branca, invista no licor! Se a branca recebe mais elogios que a envelhecida, invista na branca. Antes de pensar em embalagens super especiais para 3 ocasiões diferentes, que tal melhorar a embalagem padrão?
Isto, é claro, não deve ser aplicado às cegas, nem por qualquer um. Alambiques muito pequenininhos, com produção bem restrita, é lógico, podem se dar ao luxo de variar um pouquinho e fazer algumas coisas diferentes (isso se eles não visam o grande mercado). Mas, mesmo assim, sem exageros e com “constância”. (Constância, aliás, é uma outra palavra interessante para ser lembrada – não vale muito investir para caramba em séries especiais que não se repetem, por exemplo. Seja inteligente e tenha um pensamento “otimizador” para aproveitar seus esforços de marketing!).
Assim, marcas que visam se fazer conhecidas nos melhores bares, restaurantes e pontos de venda devem pensar nisto. A variedade é muito bacana e rica. E há boas cachaçarias trabalhando com elas. Mas, para o mercado da Cachaça crescer, a relação custo-benefício na hora de expandir sua linha de produtos ou oferecer ao consumidor uma carta de Cachaça muito extensa deve ser pensada com menos “tradição” e mais estratégia. Vale parar para pensar!
Renato Figueiredo
Renato Figueiredo traz todas as quartas-feiras algum pensamento ou informação a respeito de como usar o MARKETING para VALORIZAR A CACHAÇA brasileira. Fale com ele: renato@mapadacachaca.com.br e conheça seu livro, o “Estava no Seu Nariz, Mas Você Não Viu” .
Tente se lembrar de um lugar que você foi, e que era famoso por servir Cachaça. Quantas marcas haviam lá?
Muita gente deve ter respondido, “não sei, mas muitas!” Com certeza, mais de 50. E, aliás, quanto mais marcas, melhor, não é? No mundo da Cachaça, parece ainda haver uma idéia de que Cachaça deve ser, necessariamente, multiplicidade. Quanto mais marcas diferentes, sabores diferentes, embalagens especiais, etc. e tal, melhor. Será?
“Hã hã”: não necessariamente. A variedade pela variedade pode nem sempre ser interessante para o consumidor ou para o restauranteur ou dono do bar. Para o consumidor, o enorme leque implica uma dúvida iminente durante e após a escolha: “essa que eu escolhi é boa, mas será que não havia outra melhor?” Ou: “poxa, havia tantas para escolher e eu fui escolher justo esta que não gostei?”. Se o mercado da Cachaça já fosse tão desenvolvido quanto o do vinho, talvez pudéssemos contar com sommeliers em vários restaurantes ou pontos de venda, e que nos dessem orientações na hora da compra. No entanto, a realidade ainda é outra.
Para quem administra um negócio, tanto do lado da produção quanto da venda, o excesso de opções também é problemático: administrar a variedade é muito mais trabalhoso e mais custoso. Cada “tipo” do produto (também conhecido como “SKU”) tem uma peculiaridade, um tamanho de embalagem diferente, um rótulo diferente, uma distribuição diferente. Vale a pena pensar na relação custo-benefício antes de expandir sua linha.
Se observarmos os grandes conglomerados de empresas hoje, veremos que é justamente isso que eles têm feito: Unilever, Nestle, Procter&Gamble… Todas as grandes players do mercado têm comprado e não param de comprar mais marcas. Mas cada vez mais elas reduzem o número delas no seu portfólio (excluindo, juntando, mudando nomes…). E por que? 2 razões: custos e lembrança de marca.
Sim, marca. Imagine você fazer a propaganda de 300 tipos de Cachaça diferentes. Investir em campanhas para cada uma delas – e fazer o consumidor se lembrar delas. Se você já tentou trabalhar com uma, sabe o quanto isto pode ser trabalhoso. O exemplo das grandes empresas de hoje nos mostra: é mais proveitoso investir em poucas marcas, com melhor qualidade. Para todos os elos da cadeia de consumo: produtores, distribuidores, varejistas, consumidores finais…
Assim, seja você um produtor, distribuidor ou até consumidor de Cachaça: antes de pensar em quantidade, pense em investir seus esforços em menos, mas mais valiosas marcas e produtos. Antes de pensar logo em 4 produtos diferentes, por que não apenas 2? Ou um só? Quantas marcas “únicas” não fazem enorme sucesso por aí? Se seu licor é melhor que a cachaça branca, invista no licor! Se a branca recebe mais elogios que a envelhecida, invista na branca. Antes de pensar em embalagens super especiais para 3 ocasiões diferentes, que tal melhorar a embalagem padrão?
Isto, é claro, não deve ser aplicado às cegas, nem por qualquer um. Alambiques muito pequenininhos, com produção bem restrita, é lógico, podem se dar ao luxo de variar um pouquinho e fazer algumas coisas diferentes (isso se eles não visam o grande mercado). Mas, mesmo assim, sem exageros e com “constância”. (Constância, aliás, é uma outra palavra interessante para ser lembrada – não vale muito investir para caramba em séries especiais que não se repetem, por exemplo. Seja inteligente e tenha um pensamento “otimizador” para aproveitar seus esforços de marketing!).
Assim, marcas que visam se fazer conhecidas nos melhores bares, restaurantes e pontos de venda devem pensar nisto. A variedade é muito bacana e rica. E há boas cachaçarias trabalhando com elas. Mas, para o mercado da Cachaça crescer, a relação custo-benefício na hora de expandir sua linha de produtos ou oferecer ao consumidor uma carta de Cachaça muito extensa deve ser pensada com menos “tradição” e mais estratégia. Vale parar para pensar!
Renato Figueiredo
Renato Figueiredo traz todas as quartas-feiras algum pensamento ou informação a respeito de como usar o MARKETING para VALORIZAR A CACHAÇA brasileira. Fale com ele: renato@mapadacachaca.com.br e conheça seu livro, o “Estava no Seu Nariz, Mas Você Não Viu” .
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